Terça-Feira, 16 de Janeiro de 2018 - SÃO JOSÉ DOS QUATRO MARCOS

CRÔNICA: A foto que virou pano de fundo aos problemas sociais de um povo calado

Ouso iniciar esta crônica relembrando tempos da infância, não só da minha, mas da maioria das pessoas que viveram as décadas de 1980, 1990 e meados da década de 2000. Eram outros tempos, eu sei, mas a atitude de um sacerdote não seria tão cruelmente condenada como se está fazendo no início deste 2018.

Quem nunca brincou com uma arma, seja ela de brinquedo ou não? Quem nunca, pelas ruas de São José dos Quatro Marcos, brincou de mocinho e bandido, de lutas de espadas ou de bang-bang? E a arma era sempre o dedo em riste ou de madeira, confeccionada pelas próprias crianças e adolescentes ou ainda, compradas nas lojas de brinquedos. E não era crime. E não apanhavam por isso. E ninguém morria ou ficava ferido nessas brincadeiras. Não havia maldade nos corações dos brincantes. E não houve maldade na brincadeira do sacerdote.

A atitude do Padre Thiago Bruno não foi correta pelo que ele representa. Mas que mal ele fez para as pessoas ou para a sociedade quatromarquense, a não ser pregar o bem, a união das famílias, o evangelho, a boa convivência, o perdão dos pecados e o amor de Deus por nós? Se essas mensagens de amor fazem mal a alguém, é porque se está do outro lado e precisa voltar o mais rápido possível para os braços do Pai.

Só porque ele é padre não tem o direito de brincar como nos tempos de outrora? Recordo uma canção dos tempos de criança que se tornou hit até nos dias de hoje: “Eu quero ter um coração de criança”. Será que o padre não pode ter um coração de criança? Será que o padre não pode brincar? Só porque ele cometeu o lapso de postar a foto de uma brincadeira, com arma de brinquedo, deve ser combatido como se está fazendo nas redes sociais e em alguns meios de comunicação?

Todos conhecem e sabem quem é o padre Thiago Bruno. Sabem de sua idoneidade e das lutas que ele trava para o bem das pessoas de sua paróquia e da sociedade como um todo. Sabem de suas andanças pelo Brasil, pregando o evangelho e anunciando as boas novas de Deus. O que as pessoas não sabem é a luta interior que ele trava todo santo dia, na tentativa de não cometer erros. E, com certeza, o post que ele fez não foi mal-intencionado. Foi uma brincadeira que, quando percebeu, já estava correndo as redes sociais. E estão combatendo ele por isso, como se fosse um bandido da pior espécie.

O Brasil não anda bem das pernas. Está cambaleando o tempo todo. E qual o motivo? Crimes de toda espécie, praticados por todo tipo de pessoas. Seja com arma de verdade, de brinquedo ou até mesmo com a própria inteligência humana. Ouçam músicas, assistam programas televisivos e jornalísticos, vão às festas sociais abertas ou não, vão aos teatros, assistam filmes nacionais, andem pelas praças e lanchonetes, prestem atenção nos políticos de todos os poderes, analisem o que circula nas suas redes sociais. Você vai deparar com uma gama de mortes; roubos; baixarias; promiscuidades; pecados de toda espécie; falta de respeito; apologias ao álcool, às drogas e ao sexo.

E aí pergunto: cadê as manifestações do povo contra tudo isso? Cadê as mobilizações, sejam em praças públicas, ruas, avenidas ou redes sociais, para combater todos esses tipos de mazelas espalhadas pelo Brasil afora?

Vivemos num país depravado, promíscuo, liberalista, onde as coisas más, que prejudicam a sociedade, não podem ser combatidas porque vai ferir a liberdade de expressão, vai ser censura. Hoje pratica-se no Brasil muitas atrocidades em nome dessa tal liberdade de expressão. E o povo engole calado. E o povo continua calado. E a bestialidade vai tomando conta da sociedade brasileira.

E querem condenar um padre só porque postou uma foto com uma arma de brinquedo? Ah, me poupem. Os cristãos não são bobos para caírem nessa armadilha maldosa que está nas redes sociais. Na surdina, o demônio também age através delas.

*Luiz Carlos Bordin é escritor, jornalista e produtor cultural, com formação em Serviço Social pela Unitins.


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